sexta-feira, 30 de outubro de 2009



Eu lembro perfeitamente de cada raio de sol daquele dia, invariavelmente, sem cor. Parecíamos perdidos num amor que somente a nós pertencia. E com esse tanto de intensos infinitos ainda nos preocupávamos com tudo aquilo que não havia sido dito. O amor precisa de linhas retas e palavras firmes pra ter sinônimos invariáveis. E no fim, toda aquela beleza inusitada, ainda frágil e sutil, embrulhou tudo de mal resolvido e levou no vento.

(Porque quando o amor é demais e as palavras insistem em se tornar introspectivas, o teu abraço e todos aqueles pedacinhos de luz e felicidades são o suficiente para iluminar uma vida inteira.)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sobre pegar atalhos



- É que estar parada diante de dois caminhos, sem saber para qual lado devo seguir, me deixa confusa . – disse ela com lágrimas nos olhos
- Sempre existiram vários caminhos... Não estão restritos a dois lados. Se você pensar em 'lados' verá que há flexibilidade e relatividade em tudo. Por isso é preciso observar o que realmente te apaixona, daí entra junto a razão, um tanto de emoção pra vida não perder a graça e todos aqueles sonhos que você constrói com tanto amor ao longo do tempo. – respondeu ele, calmamente.
- Então eu já sei pra qual direção devo ir.

...


E ao dizer isso, ela simplesmente sumiu no infinito.

sábado, 12 de setembro de 2009

Caminhos


Há momentos em que pensar se torna a arma mais poderosa que podemos usar contra nós mesmos. Pesar prós e contras quando o coração apenas diz sim é como seguir adiante de olhos vendados. Uma verdadeira guerra interna. Um sonho interrompido antes do final feliz.
É, meu bem! Nem tudo é recomeço. Às vezes é apenas tropeço, lágrimas, e caminhos errados.
Eu venho tentando olhar um pouco mais pra dentro, ultimamente. É como se eu fosse mera espectadora de uma história em que eu sou a protagonista. Não deveria. Mas sou. Porque cansei de colocar meu bom senso contra os meus maiores desejos. É como jogar contra e a favor do mesmo time. É como gritar, mas não conseguir me escutar.

É me perder... Sem pressa pra me encontrar.

Porque sei exatamente onde estou. Sei o que sou, o que quero.
E quando olho pra mim e vejo você, não há razão, resposta ou acaso que me faça pegar o caminho contrario.
Ainda que não tenha atalhos, meu destino final é um só. E eu sei que é você quem estará lá.

domingo, 17 de maio de 2009

Das coisas que me transformam

Foto: Dani Davanso


A inconsistência dos toques,
a inconstância da melodia,
o irremediável cheiro me tirando dos eixos.
Aquele tom blasé de “todas as coisas que ainda não foram” com gosto de “breve serão” me tomam nos braços e me dão a coragem que nunca pensei ter.

Porque hoje, meu amor, a tua menina (inconsequente) acordou mulher.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Encontros

Foto: Dani Davanso


Haviam tantas nuvens, um vento frio, um frio na espinha. Era uma sexta-feira, e eu conseguia desenhar toda a cena que estava prestes a acontecer. O abraço, o beijo, e todos aqueles olhares que dispensam palavras. Caminhei apressadamente, e tudo parecia tão corriqueiro. Ansiedade. E tudo o mais. Nada mais.
As pessoas andavam de um lado para o outro, o vento insistia em continuar me causando arrepios (?), os carros buzinavam, as ruas eram enormes. Uma diversidade de pessoas, de olhares, de sorrisos. Olho pra elas e fico me perguntando o que elas podem estar sentindo naquele exato momento. Nenhuma se sentia como eu. Garanto! Parecia o Caos. Mas a verdadeira contra-cena estava aqui dentro. Um turbilhão de sensações. Carregando a bagagem, que parecia leve, ligeiramente leve, entre tantos passos, compassos e descompassos, eu me via ali, diante de uma confusão de cores, sentimentos...
Sem que ninguém pudesse notar aquela cena, aparentemente tão comum, deixei que um leve sorriso surgisse nos meus lábios, e decidi ali, naquele momento, que nada iria dar errado.
Então respirei fundo, apressei o passo e... Me vi no abraço.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O melhor de mim.

Foto: Dani Davanso

Abram alas para o amor.

Sonho. Leveza. Beleza.Atinge-me da melhor maneira
Transcende-me com tua urgência insaciável de silêncios tão expressivos quanto o sol que vejo no teu sorriso.
E enxerga o melhor de mim.
Porque mesmo em meio a essa efemeridade, o que há de mais puro e verdadeiro dentro de mim será seu por uma eternidade desmedida, uma beleza intocável e um amor infinito.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Japonês em Braile

Foto: Dani Davanso


Era mesmo como ler em braile:
Toca-me e decifra-me.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Avesso

Foto: Dani Davanso


Enquanto a brisa suave afagava os meus cabelos, eu sentia o gosto da liberdade na ponta dos dedos, dos olhos, da alma. Era um gosto um tanto quanto amargo, diferente. Deixei que meus instintos me levassem. Pelo som. Pela água fria batendo nos pés. Pela angustia que gritava em meio a um enorme silêncio. O céu azul me fazia entender a imensidão dessas sensações. Era como as reticências que costumo usar quando me faltam palavras. E tudo costumava escapar por entre os dedos, apenas as coisas sólidas permaneciam palpáveis, intactas.
Por vezes perdi de vista muito do que acreditava de fato ser meu. Foi quando pude perceber que nem sempre os caminhos são os mesmos, e que não é necessário confirmar com os olhos quando se há tantos outros sentidos. Inclusive o sexto. Intuição.
E nesse momento, com os olhos rasos d’água e a alma em tranqüilidade absoluta, eu entendi o verdadeiro significado do que disse o poeta: “Para estar perto não é preciso estar ao lado. Basta estar do lado de dentro.”
O meu lado de dentro ganhou o teu cheiro, o teu nome e a tua voz. Você virou o meu avesso.
E então eu conheci a verdadeira liberdade.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008


E essas linhas só tornam-se poemas quando com teus olhos, as transforma em doce melodia.



(...)
É você quem me faz voar.

sábado, 25 de outubro de 2008

Das coisas que eu não precisei dizer


Conjugando os teus infinitos verbos encontrei a minha mais doce palavra. E num dia em que a brisa batia leve e tranqüila, minhas urgências gritavam cada vez mais nítidas o teu nome, incessantemente, como se cada parte do que tenho de mais intenso pudesse me fazer inteira apenas ao reconhecer essa metáfora suave e leve, em meio às tantas tempestades desse imenso vazio lotado de palavras que eu não precisei dizer para que você entendesse.

(...)


Só você decifra e preenche os vazios que há em mim.